Vulneráveis ou vítimas? A experiência das redes de luta antimanicomial em Belo Horizonte e a construção relacional de biopotências

Lucas Veloso, Angela Cristina Salgueiro Marques

Resumo


O presente artigo procura apresentar uma reflexão em duas frentes acerca dos modos de existência, vulnerabilidades e resistências que atravessam as experiências, interações e processos comunicativos de sujeitos e sujeitas em sofrimento mental no contexto da cidade de Belo Horizonte (MG). Primeiramente, a noção de vulnerabilidades é contraposta à ideia de vítima passiva, destacando-se o seu enraizamento nos conflitos sociais e na construção relacional da autonomia, à luz dos modos de expressão política do coletivo Associação dos Usuários de Saúde Mental de Minas Gerais (ASSUSAM-MG). Em um segundo momento, procura-se verificar em que sentido vulnerabilidades atuam na criação e invenção de narrativas, corporeidades, redes de aliança e modos de auto-determinação político-expressivas que emergem no contexto de luta antimanicomial, possibilitado pela Associação.


Palavras-chave


vulnerabilidade; vítima; sofrimento mental; biopotência; comum.

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